quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Amar não se aprende



Uma pessoa postou esta mensagem no Facebook e disse que é “muito lindo e verdadeiro!”. Numa leitura superficial e sob o efeito psicológico de quem escreveu, parece muito verdadeira, mas não é – afinal em nosso mundo a "verdade" depende muito de quem diz do que o que diz.

Mandela diz que se alguém pode aprender a odiar, obviamente pode aprender a amar, o que subentende que o ódio é o oposto do amor. Mas o Amor tem oposto? Não. Se tivesse o amor não seria completo, haveria a contraparte, o ódio. É a velha dicotomia dos opostos: se há bem, há o mal; se a Deus, há o Diabo; se há tristeza, há a alegria, e por ai vai. O mundo seria eternamente incompleto, inclusive Deus.

Pode-se aprender a amar? Não. Amor não se aprende, porque não passa pelo crivo da razão. Nem se cultiva, porque não depende de um “eu” para se manifestar. O Amor é livre!

Então, por que o amor se manifesta de forma mínima na humanidade? Simplesmente porque a humanidade bloqueia-o dentro de si, devido ao limite de consciência a qual se vive. Um ego que se passa por Alma, uma personalidade que se passa pela totalidade da individualidade. Porém, o amor está oculta em cada ser.

Não Mandela, amor não se aprende. Ele é independente da razão, saiba que os animais também amam – inclusive os minerais e as plantas – e não tiveram um professor coruja para os ensinar. Se a humanidade quer “aprender” a amar, deve permitir que uma consciência mais alta se manifeste em si, ao mesmo tempo que se liberta da auto importância.

domingo, 1 de abril de 2012

Eles, os “bons”

Eles estão fazendo “alguma coisa” pela humanidade. Criam instituições, ONG´s, praticam a caridade. Recardam dinheiro, fazem “campanha do quilo” e distribuem cestas-básicas entre os mais necessitados. Também visitam os doentes em hospitais, levando “alegria”, dão ajuda psicológica, pedagógica, entre outros benefícios.

Eles pregam a virtude (eles são tão cheios delas...), o amor ao próximo e principalmente a caridade. Já os vi em ação.

Chegaram sorridentes, pareciam pertencer a alguma religião, abraçavam os necessitados, distribuíam mantimentos e brinquedos às crianças, que haviam arrecadado das várias campanhas que fazem.

Tiravam muitas fotos (para divulgar como bom exemplo), mais tarde iriam também divulgar em seus jornais e informativos quantas famílias foram beneficiadas. Afinal, eles fazem alguma coisa.

Percebi logo que eles não faziam parte daquele mundo: pareciam gente estudada, bonitos, saudáveis e bem de vida. Mas as famílias beneficiadas não ligavam muito com o contraste – o importante é que eles eram “bons”. Aí de mim se os criticasse – pessoas boas não podem ser críticas. Nunca.

Depois do “dever cumprido”, os vi entrarem em seus carros e irem embora para suas casas aconchegantes, onde estavam seus bens materiais, estes eles não dividiam entre os pobres.

A riqueza de poucos significa a pobreza de muitos. Quem bom que exista desigualdades para eles praticarem a virtude e a caridade.

Eu ficara um pouco mais no lugar, não era muito longe da minha casa. Os adultos entraram para dentro das casas, algumas crianças ainda ficaram brincando sentadas no meio-fio. Havia um silêncio estranho no ar, já era umas 17 horas, hora do crepúsculo. Naquela época a cidade de Belo Horizonte parecia uma roça e, portanto, havia muitas árvores. Ali, vi algo que nunca esqueci: as pequenas crianças estavam de mãos dadas brincando de roda ao lado de uma grande árvore. O Sol refletia seus raios atrás das árvores criando uma imagem muito bonita e os galhos dela pareciam querer abraçar aquelas crianças como se quisesse também “dá-lhes as mãos” e entrar na brincadeira. O tempo parecia eternizar-se, havia uma unidade entre a natureza e as crianças, uma riqueza que o “mundo” não vê. Tudo se tornou UNO – a Natureza estava com as crianças, um amor silencioso se fez presente, que não faz barulho para o “mundo” ouvir. Algo bem diferente daquelas pessoas caridosas...

domingo, 6 de junho de 2010

NÃO SEI O QUE A VIDA É


A vida parece tão frágil.... As nuvens no céu, os livros que lemos, a nossa doce infância, nossas alegrias, os lugares onde moramos, as escolas onde estudamos. Tudo parece escapar de nossas mãos, menos do coração. Este parece guardar tudo.

Eu não sei o que a vida é, e talvez morra sem saber. Os filósofos, religiosos, intelectuais, os gurus da Índia, o xamã da Austrália, já deram as suas explicações do que é a vida; nenhum deles conseguiu-me convencer.

É tudo tão vasto quando olho para as nuvens, quando olho para o horizonte, ou quando olho para dentro de mim mesmo. Tudo é tão misterioso.

Não sei o que a vida é, mas sinto que é tudo tão frágil; tão perto e distante ao mesmo tempo. Quando não se sabe lidar com a solidão e o silêncio não se sabe viver, e sem essas duas coisas nada se consegue perceber além do superficial e do óbvio.

Por eu não saber o que a vida é, cada momento torna-se mágico e único. Às vezes o silêncio dentro de mim é tão grande que sinto a beleza em tudo. Na essência das coisas não há lugar para o feio e o imperfeito.

Todas as dicotomias desaparecem no silêncio, como também os julgamentos, desejos e inquietações. É só quando o silêncio toma conta de mim que sinto que estou vivendo. Só quando sinto todas as coisas como parte de mim mesmo, que estou verdadeiramente vivendo.