domingo, 1 de abril de 2012

Eles, os “bons”

Eles estão fazendo “alguma coisa” pela humanidade. Criam instituições, ONG´s, praticam a caridade. Recardam dinheiro, fazem “campanha do quilo” e distribuem cestas-básicas entre os mais necessitados. Também visitam os doentes em hospitais, levando “alegria”, dão ajuda psicológica, pedagógica, entre outros benefícios.

Eles pregam a virtude (eles são tão cheios delas...), o amor ao próximo e principalmente a caridade. Já os vi em ação.

Chegaram sorridentes, pareciam pertencer a alguma religião, abraçavam os necessitados, distribuíam mantimentos e brinquedos às crianças, que haviam arrecadado das várias campanhas que fazem.

Tiravam muitas fotos (para divulgar como bom exemplo), mais tarde iriam também divulgar em seus jornais e informativos quantas famílias foram beneficiadas. Afinal, eles fazem alguma coisa.

Percebi logo que eles não faziam parte daquele mundo: pareciam gente estudada, bonitos, saudáveis e bem de vida. Mas as famílias beneficiadas não ligavam muito com o contraste – o importante é que eles eram “bons”. Aí de mim se os criticasse – pessoas boas não podem ser críticas. Nunca.

Depois do “dever cumprido”, os vi entrarem em seus carros e irem embora para suas casas aconchegantes, onde estavam seus bens materiais, estes eles não dividiam entre os pobres.

A riqueza de poucos significa a pobreza de muitos. Quem bom que exista desigualdades para eles praticarem a virtude e a caridade.

Eu ficara um pouco mais no lugar, não era muito longe da minha casa. Os adultos entraram para dentro das casas, algumas crianças ainda ficaram brincando sentadas no meio-fio. Havia um silêncio estranho no ar, já era umas 17 horas, hora do crepúsculo. Naquela época a cidade de Belo Horizonte parecia uma roça e, portanto, havia muitas árvores. Ali, vi algo que nunca esqueci: as pequenas crianças estavam de mãos dadas brincando de roda ao lado de uma grande árvore. O Sol refletia seus raios atrás das árvores criando uma imagem muito bonita e os galhos dela pareciam querer abraçar aquelas crianças como se quisesse também “dá-lhes as mãos” e entrar na brincadeira. O tempo parecia eternizar-se, havia uma unidade entre a natureza e as crianças, uma riqueza que o “mundo” não vê. Tudo se tornou UNO – a Natureza estava com as crianças, um amor silencioso se fez presente, que não faz barulho para o “mundo” ouvir. Algo bem diferente daquelas pessoas caridosas...

3 comentários:

Adri disse...

Parece muito os textos de reflexão do krishnamurti... Embora seja muito crítico, acho muito boa sua reflexão!

dom disse...

Fazer a boa ação é melhor do que não fazer nada, e se a pessoa a faz sem esperar nada em troca melhor ainda. Analisar o erro das pessoas é muito fácil e ainda ficar generalizando...

dom disse...
Este comentário foi removido pelo autor.